As palavras

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  • por Mariana Paiva

Existem as palavras, e delas não dá pra ter medo. Cada uma é uma coisa (ou várias), e o bom é isso mesmo. Pudim, por exemplo, só lembra o de minha vó. Há aqueles no potinho, os branquelos, os molengos que mais parecem um flan. Não lembro deles sem algum esforço. Rápido quando ouço “pudim” eu lembro mesmo o de minha vó Iá: douradinho e aerado graças a um segredo na receita que não conto aqui.

E tem domingo. Domingo é outra palavra que não me deixa dúvidas. Tem que ter sol, tem que ser perto do mar e sem hora pra chegar nem ir embora. De segunda-feira também já gostei, eu e a palavra que assusta tanta gente já fomos amigas por nossos próprios motivos. Só sei dizer que era feliz.

O resto eu deixo fluir. Escrevo para não perder o costume das palavras. “Muito”, por exemplo, é uma que a gente estranha se passa algum tempo longe. Fala anasalado, como se houvesse um “n” depois do “i”. Não tem. Mas a gente fala assim mesmo, assim que é bom, é mais bonito talvez.

Para o que sinto, busco nome à toa por aí, mesmo com alguma preguiça de carregar dicionários tão pesados. Criamos tantas palavras que desconhecemos quase todas. As essenciais ainda sigo procurando. Talvez um dia eu invente.

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