Queda livre

elgaucho

por Mariana Paiva

Ir por onde nunca fui. Os pés descalços. Quero saber como é o mundo. O que é que tem depois dali? Vamos. Você não tem medo? Claro que tenho. A perna treme sozinha, o coração dispara mas eu vou. Eu vou porque sou eu que escolho. Em frente.

Alguém devia avisar: liberdade vicia. Vento na cara, novidade, velocidade. E o depois do limite. Agora posso mais. Fiquei poderosa, dona do mundo, sabe até onde eu posso ir? Nem eu. E a graça ser exatamente essa: ser grande, ilimitada. Nada de “conhece-te a ti mesmo”. Antes disso, desconhece-te. Esquece de onde você achava que começava e terminava. Reinventa tudo. Sem começo, sem meio, sem fim. Livre assim.

Me desenha como um passarinho. Sim, voando. Mas se é assim mesmo que eu sonho? Eu sei voar. Tem dia que a asa acorda tímida, mas lá de dentro, um pedacinho quente me lembra que sei. E então um caminho novo que faz o olho brilhar. Vai ou não vai? Vou sim. Quem chama é natureza de bicho selvagem, criado solto. Fera risonha que gosta de carinho.

Faz muito tempo a grande verdade que Ivan disse. Uma leoa correndo de cabelo solto e o vento, o vento. Uns poemas no meio do caminho. O vento. A leoa correndo sem parar. Pra que parar, afinal? Bom é ir. Coração bem sabe, esquece não.

 

 

* para Ivan Cerqueira, por uma lembrança tão boa

** para Iracema e Dora, que voam junto

*** a ilustra linda é de “El Gaucho”, de Milo Manara ❤

**** trilha sonora: “Queda livre” – Cascadura

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