é preciso amar

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por Mariana Paiva

É preciso amar, eu sei. Mas anda tão difícil. Não amor de beijo, abraço, amasso. O que tá difícil é ver tanta gente amada vomitando desamor. Sim, esse é um texto sobre amor, mas também sobre política. É que os dois temas nunca tiveram tanto a ver um com o outro como agora. Pelo menos no Brasil.

Correndo a timeline do Facebook, me peguei procurando desculpas para a postagem de alguém que amo. No vídeo, o político gritava, agressivo, prometendo fuzis para fazendeiros metralharem os sem-terra. Parei ali. Voltei à postagem de meu amigo de tantos anos esperando ler um comentário contrário no compartilhamento. Não tinha. Na postagem original do desconhecido, as palavras: “Por favor, repassem!”. E meu amigo repassou. Simples assim.

Meu amigo não sabe, mas fiquei o dia inteiro pensando naquele compartilhamento. Tentando explicar pra mim mesma por que alguém tão legal acha bom o fuzil. Por que alguém que eu amo – e que me ama – foi logo acreditar numa solução dessas de puro desamor?

A coisa mais triste que tem ultimamente não é a corrupção. Desculpem, não é. Eu sei que por ela tanta gente escreve, fala, vai às ruas (cada um como sabe, de seu jeito, naturalmente). Mas a coisa mais triste que tem ultimamente é o desamor. Só ele é que faz com que olhemos pela primeira vez com estranheza para aquele amigo que sempre esteve ali. Pelo desamor desconhecemos o outro. Que parte desse filme perdemos? Quando foi que aquela pessoa incrível passou a preferir os fuzis e eu nem notei?

Só que é preciso amar. Mesmo que sozinho: amor é a maior revolução que pode acontecer agora. Amor como uma reação, amor como força contrária ao fuzil, ao discurso de ódio, ao preconceito de classe, de cor, de gênero. Amor até mesmo (e principalmente) para lembrar quem a gente ama que é possível amar. É isso: amor como uma lembrança

* a ilustra é de Nan Lawson
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One thought on “é preciso amar

  1. O Amor (com letra maiúscula, note) está fora de moda… Em épocas de MMA, corrupção, relações virtuais e fáceis e pasmem… em que o Batman e o Super Homem (símbolos heroicos que representam o sacrifício, a valorização da vida e a esperança) matam para agradar as gerações atuais, sedentas de sangue, nada mais natural que as pessoas coadunem com saídas extremas. É o retorno à barbárie e à insensibilidade, infelizmente, esse é o pêndulo da história da humanidade, que vai e volta… vai e volta…

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