said you took a big trip

ziggy-stardust-2

por Mariana Paiva

 

Era adolescente e gostava de rock. Mas conheci mesmo meu lugar no mundo quando fui apresentada a David Bowie: era possível então ser qualquer coisa. Amei rápido a ideia de ser camaleão, longe do tédio de ser sempre a mesma pessoa. Podia ser colorida, brilhante, viver na terra ou nas galáxias distantes do pensamento. Quis logo me chamar Stardust, e assim foi por um tempo, no mIRC. Lyv Stardust. Poeira de estrelas para provar que tudo era possível, ser tantas e ser uma só. Foi ele quem me ensinou.

 

Ele, minha companhia por muitos anos de manhã. Meu anúncio para a casa inteira de que eu estava acordada: The Prettiest Star tocando, como num recado: todo dia é de brilhar. Hoje, a vitrola acordou calada. É só esse mesmo o sentido da arte: o mundo inteiro, tanta gente diferente unida num mesmo sentimento. Uma terra menos criativa, menos corajosa de ser da maneira que se sonha. Ou então um jeito de dizer à gente que pelo menos tente, que pode ser bom, que pode ser brilhante.

 

No coração, o sonho de um show que não aconteceu, daquela dança em Labirinto, daquela vontade de casa em Everyone Says ‘Hi’. E um obrigada infinito (do tamanho de você) daquela menina que virou mulher e que ainda quer poeira de estrelas. para sempre.

 

 

(descanse em paz, meu Bowie)

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