mistério sempre há de pintar por aí

moonrise-kingdom-04.jpg

*

por Mariana Paiva

Um espaço de ternura, um cantinho qualquer para guardar o coração das dores do mundo, das manchetes, dos dias que se sucedem. Um veraneio na ilha de Itaparica, o gosto do bolo da infância, o mar da Barra à noite. É que de dia ele é bonito, sim, demais. Mas é que foi de noite que eu aprendi a amar.

Brincar de rewind com o tempo, voltar para ouvir de novo aquela música tão boa. Ontem mesmo falei distraída que era assim mesmo a vida. Era de ir pra frente. Falei mas não foi de coração: tinha um dia específico que se eu pudesse, eu voltava. Tá certo que ele já vai um pouco longe nas folhinhas dos anos, mas eu voltava.

Atravessava de novo a cidade para comer um hot dog na ladeira dos Galés. Achava graça outra vez no nome do sanduíche de frango amilharado. Riria do mundo como eu queria que ele fosse: uma madrugada sem hora pra acabar, um dia que amanhece. Pra que mesmo dormir tanto? Sono é tédio, cá comigo eu sei.

Uns versos de Neruda, Gilberto Gil cantando e uma lágrima no canto dos olhos. Foi assim que achei tudo lindo pela primeira vez, foi quando eu gostei muito. Assim tem sido. Comigo vai Ganesha, a receita do pão de refluxo, o filme do coelho que nunca terminei de assistir. “Forte e contente  eu vou pela estrada aberta”, como diria o velho Walt

 

* a imagem é do filme Moonrise Kingdom, de Wes Anderson. o título é um verso da canção Esotérico, de Gilberto Gil

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