Para viver um grande amor

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Mariana Paiva

Thais e João fizeram hoje 37 anos de casamento. Nas fotos do Facebook, um buquê de rosas, uma torta confeitada de chocolate, pessoas amadas reunidas em volta de uma mesa. Quase quatro décadas e eles sabem: o amor é celebração.

Sim, porque além de todas as obviedades do dia a dia, de uma vida em comum cheia de contas a pagar, há aquele espaço vazio. Espera por pequenas alegrias ou então corre o risco de se tornar um hiato, um planeta onde não mora ninguém, uma galáxia do distante tanto faz.

Contra isso, o antídoto é apenas o nunca se acostumar. Nunca estar tão à vontade como se não fosse mais preciso amar no dia seguinte, e no dia depois. Amor hoje, na sexta, no sábado, no domingo. Amor no cardápio da semana que vem e de todas as outras: parece mesmo ser esse o único gesto capaz de fazê-lo amigo do tempo.

Ou então aquelas pequenas doçuras que Vinicius sugeriu em “Para Viver um Grande Amor”: uma galinha com farofa, um crédito de rosas no florista, algum peito de remador que consiga ir contra a correnteza do tédio. Para o amor eleito, aquele olhar reservado aos primeiros namorados, o gosto de um beijo de estreia, a alegria sempre renovada nos detalhes. Ou então um bilhete, uma palavra nova, uma estrela cadente, tudo disfarce do amanhã que se espera em boa companhia

* para Thais e João, nesse dia de festa

** a pintura linda é de Cícero Dias

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