A arte imitando a vida, a vida imitando a arte

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“A Princesa e o Plebeu”, de William Wyler, é de 1953, mas quem se importa? É que o amor é sempre o mesmo, na ficção ou na vida, sempre deixando mais interrogações e espaços vazios que certezas. Gregory Peck é um jornalista; Audrey Hepburn, uma princesa. O encontro se dá da forma mais improvável: vão ficando perto um do outro até que o óbvio acontece. Todo mundo sabia que ia ter beijo quando o filme começou. Mesmo assim, a gente espera.

E quando o beijo é ainda melhor do que o que se espera? – uma amiga minha perguntou essa semana, no Facebook. Lançou a pergunta ao vento, a quem quisesse responder. Ninguém chegou a tanto, porque nem pode. Artur da Távola escreveu isso, é como um olhar de espanto ao encontrar-se no mistério do outro. E depois? Dessa parte ele não sabe. E nem o resto da humanidade. Nem Platão, com seu Banquete, chegaria a tanto: a dizer o que vem depois.

O jornalista Joe e a princesa Ann vão até a boca da verdade. O espectador espera, espera, espera, mas ela não diz nada. Aliás, diz: é o primeiro momento em que se percebe o amor. Então tá dito. E depois? Depois é depois, não agora.

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One thought on “A arte imitando a vida, a vida imitando a arte

  1. …e depois, te aprisiona ou te liberta para sempre!!!

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