Alma, deixa eu ver sua alma

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O cineasta tinha que fazer um filme e não conseguia inspiração. Pra isso mesmo tinham inventado a metalinguagem, pra Fellini usar em 8 e 1/2. Hoje não pensei nessas coisas que eu estudei. Hoje eu senti. Parei e vi só um trechinho, que era o que interessava: a alma. Ela a gente encontra quando menos espera, num daqueles desvios que Manoel de Barros fala que é onde encontramos as melhores surpresas.

aí uma memória antiga, de quando eu visitava sempre uma página e a frase já estava lá. eu sabia que era sua. foi de repente que as coisas indivisíveis foram passando de sua mão para a minha, da minha para a sua. o mundo misturou tudo, fragmentos de filmes, realidades. aquele menino tocando violino no filme de Tarkovsky. Cabíria chorando e a maquiagem escorrendo enquanto todos ao seu redor continuam em festa. um menino que se vê nos outros meninos, nos da ficção, porque quer continuar vivo. se alimenta deles. a menina que continua sentada no sofá ao lado do avô para ver filmes. mesmo que nem o avô nem mesmo o sofá estejam mais lá.

Se isso tem um nome, é alma. É ela a palavra secreta de Guido, é ela que faz o filme acontecer, é ela que precisa reconquistar o mundo, tomar o lugar que é seu de direito. E essa alma a gente só entrega quando sabe que pode. ou melhor, quando é imperativo da natureza, quando não há razões para negar.

alma, esse sinônimo de coração

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